quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Renovacão de vida

Por Tarcízio Scalabrin

Desde os primeiros anos de colégio aprendemos que as árvores renovam o oxigênio da terra. Precisamos cuidar e preservar nossas árvores e florestas para nos preservar como consumidores de oxigênio em grande escala. Sabemos que as árvores são renováveis e para se perpetuar todas produzem seus frutos e sementes. Precisamos ajudar, espalhar e plantar, sempre que for possível, o maior numero de árvores frutíferas ou apenas de sombra.

Se tomarmos como princípio a renovação sistemática de nossas matas, também poderemos, eventualmente, substituir algumas, no desempenho de nossas atividades diárias. Hoje, somos penalizados com multas e reposição, pelos órgãos públicos, em função da legislação vigente, que nos proíbe de derrubar uma árvore para construir uma casa ou outro beneficiamento de passagem.

A Lei tem que ser cumprida, não temos dúvidas disso, mas temos que ter alternativas para substituir, quando necessário, uma ou mais árvores. Para tanto temos o exemplo de algumas prefeituras que criaram seu próprio viveiro para renovação da flora. Também temos viveiros e floriculturas da iniciativa privada que suprem as necessidades neste setor.

 Não temos necessidade de coibir e amedrontar a população com multas pesadas, sacrifícios desnecessários e mal estar entre as famílias, em função de delatores inescrupulosos e inconsequentes, se podemos renovar naturalmente nosso meio ambiente. Basta que formemos nosso próprio meio de plantar, transplantar e cultivar. Também não podemos inibir a população de manter esta iniciativa tão nobre de plantar árvores. Quem, no verão, não foi à procura de uma sombra para aliviar o cansaço e o calor? Quem já não procurou a sombra de uma árvore para deixar seu carro? Quem já não plantou uma árvore ao lado da casa para tomar seu chimarrão ou até curtir um bom churrasco com amigos no verão?

 A própria natureza nos fornece os meios para facilitar o plantio, pois temos terra fértil e sementes em abundancia para isso. Precisamos do incentivo para continuar a plantar.



terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Sem máscaras e sem vacina - como a Austrália controlou a pandemia

Relato de uma brasileira na Austrália

Por Elen C


Meus amigos brasileiros escutam com espanto quando eu conto como é a vida na Austrália. Não por causa dos coalas, praias paradisíacas e aranhas, mas por causa do COVID (em especial, como a pandemia foi controlada e eu nem preciso usar máscaras quando vou a bares, restaurantes e mercados).

O fato de a Austrália ser uma ilha e ter fechado as fronteiras em março de 2020 contribuiu muito para ter tido menos de 30.000 casos e menos de 1.000 mortes em um ano. Inclusive, por aqui não há mortes por COVID desde outubro. No estado onde moro – Austrália Meridional – foram somente 4 mortes no total. Os baixos números não são por falta de testes: foram quase 14 milhões de testes em um país com 25 milhões de habitantes.

Quando os primeiros casos comecaram a surgir em fevereiro de 2020, a Austrália foi rápida em implementar medidas de distanciamento físico, trabalho remoto, auxílio emergencial, fechamento das fronteiras e, quando necessário, lockdowns. Tudo já estava bem controlado em abril. A segunda onda atingiu Melbourne com força em julho, e foi aí que uma parte da população sentiu a pressão da pandemia, com lockdown e obrigatoriedade de uso de máscaras. Os outros estados fecharam as fronteiras com Melbourne e, desde então, apenas poucos casos surgiram quando alguns funcionários dos hotéis de quarentena são contaminados. A quarentena obrigatória foi estabelecida para receber os cidadãos e residentes permanentes que, em números reduzidos e depois de muitos voos cancelados, retornam à Austrália. 

Aqui costuma vir o maior espanto: quando alguém testa positivo, todos os possíveis contatos são avisados para fazer testes e se isolar. Um sistema de check in com QR code é utilizado em todos os estabelecimentos para facilitar o rastreamento dos contatos que estiveram naquele local caso alguma pessoa infectada tenha frequentado inadvertidamente. É feito o sequenciamento genético do vírus para identificar sua origem (geralmente um dos hotéis de quarentena). O esgoto também é constantemente monitorado e alertas são emitidos caso seja identificado o vírus em algum bairro. Na cidade de Perth, um único caso positivo resultou em lockdown por cinco dias.

E já está todo mundo vacinado na Austrália? Não, a vacina nem começou. Mas para tudo há um plano, e todos estarão vacinados até outubro (provavelmente antes disso). A Austrália vai importar e produzir localmente tanta vacina, mas tanta vacina, que se cada pessoa na Austrália tomar duas doses ainda vão sobrar milhões de doses para os países vizinhos.

As fronteiras com a Nova Zelândia, país com tanto ou mais sucesso em administrar a pandemia, foram abertas (e temporariamente suspensas). Fiji só teve 56 casos de COVID e depende muito do turismo da Austrália, mas viajar para qualquer lugar fora daqui ainda não é recomendado. Enquanto isso, o governo tenta estimular o turismo doméstico – e com tanta coisa linda para conhecer por aqui, não é nada mal.

Enquanto o resto do mundo já se habituou a todas as restrições e a usar máscaras diariamente, por aqui a vida segue quase normal, mesmo sem vacina.


Apresentação de rua em um domingo normal em Adelaide (fev/2021)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Mensagem de fim de ano

Vivemos tempos difíceis, o COVID-19 veio para mudar pensamentos, reações e formas de agir.

A pandemia, com o isolamento social, mostrou que precisamos uns dos outros e que independente da classe social somos todos de certa maneira iguais.

Quero aqui  expressar meus sinceros agradecimentos aos meus amigos, aos meus clientes e aos clientes-amigos que, mesmo em tempos de adaptação aos desafios, chegaram ao fim de 2020 com êxito.

Muito obrigado! Que possamos ter um 2021 de muito aprendizado e de novas etapas. 

"Desafios são importantes para o crescimento de todos".

A Tamig agradece


segunda-feira, 12 de outubro de 2020

A Origem dos Algarismos

    Os números foram criados, ao longo da história, diante da necessidade do homem, pois precisavam de uma forma  de  representar  as  quantidades. As primeiras representações numéricas  apareceram em razão da necessidade de se fazer a contagem dos animais, por exemplo. Os pastores soltavam seu rebanho pela manhã e contavam esses animais através de pedrinhas que eram colocadas num saco. Para cada animal, usava-se uma pedrinha. Ao final do dia, ao buscar o rebanho, os pastores contavam de forma inversa, retirando do saco uma pedrinha para cada animal.

     Nessa época também existiam outras formas de representação numérica, como  nós em cordas ou riscos feitos em ossos e pedras, sendo que cada região utilizava uma forma diferente. O homem percebeu que precisava de uma forma única de representar essas quantidades, para facilitar o entendimento entre os diferentes povos.

     Os egípcios foram um dos primeiros povos a criar um sistema de numeração. Os romanos também inventaram uma forma de contar as coisas, ou seja, o seu sistema de numeração, conhecidos como números romanos. Podemos encontrá-los até hoje, sendo usados na escrita dos séculos, em relógios, capítulos de livros, nomes dos papas, etc. 

    Porém, os números que usamos foram  criados  pelos  indianos, no Norte da Índia, em meados do século V da era cristã. As primeiras inscrições aparecem aproximadamente da  forma  como escrevemos. Descobriram  as posições de se colocá-los para formar os números maiores. Mas foram os árabes que difundiram essa forma de contagem e por isso ficaram conhecidos  como indo-arábicos, através de um grande matemático chamado al-Khwarizmi, que deu o nome aos mesmos de “algarismos”.


domingo, 12 de julho de 2020

Um apólogo

Machado de Assis

            Era  uma  vez  uma  agulha, que disse a um novelo de linha:
            - Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?
            - Deixe-me, senhora.
            - Que a deixe? Que a deixe, por quê?  Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei  sempre que  me  der  na  cabeça.
            - Que cabeça,  senhora?   A  senhora  não  é  alfinete,  é  agulha.  Agulha não tem cabeça.  Que lhe importa  isso?   Cada qual tem o jeito  que Deus lhe deu.   Importe-se  com a sua vida e deixe a dos outros.
            - Mas você é orgulhosa.
            -  Com certeza sou.
            - Mas por quê?
            - É boa! Porque alinhavo, costuro. Então os vestidos e enfeites de nossa patroa, quem  é que  os faz, senão eu?
            - Você? Esta foi boa! Você é que os costura? Você  ignora  que  quem costura sou eu, e muito  eu?
            - Você fura o pano, nada mais; eu é que costuro, prendo um pedaço ao outro, dou forma aos vestidos e babados...
            - Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
            - Também os batedores vão adiante do imperador. 
            - Você é imperador?
            - Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel  subordinado, indo adiante. Vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e de importância reduzida. Eu é que prendo, ligo, junto...
            Estavam nesta discussão, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava na casa de uma baronesa, que tinha uma costureira só para si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou o pano, pegou a agulha, pegou a linha, enfiou a linha na agulha, e  começou a costurar. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das  sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os cães de caça de Diana. E a agulha dizia:
            - Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta nobre costureira só se importa comigo. Eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
            A linha não respondia nada; ia andando.  Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela,  silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na sala de costura.  Não se ouvia nada além do plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Anoiteceu, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte, e continuou ainda nesse e no outro dia, até que no quarto dia acabou a obra. Estava pronto o vestido para o baile.
            Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha para dar algum ponto se necessário. E enquanto arrumava o vestido da bela dama, e puxava um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para zombar da agulha, perguntou-lhe:
            - Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira? Vamos, diga lá.
            Parece que a agulha não disse nada, mas um alfinete, de cabeça grande, murmurou à pobre agulha: 
            - Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai aproveitar a vida, ir a bailes, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faças como eu, que não abro caminho para ninguém.  Onde me espetam, fico.
            Contei esta história a um professor, que me disse, abanando a cabeça: 
            - Também tenho servido de agulha a muita linha  que não me dá valor!